Rio Negro baixa 2 metros em Manaus em outubro; 46 municípios do Amazonas estão em emergência

 Rio Negro baixa 2 metros em Manaus em outubro; 46 municípios do Amazonas estão em emergência

Faixa de areia da Ponta Negra, às margens do rio Negro, em Manaus (imagem de arquivo, 2009). Foto: James Martins/Wikimedia Commons – CC BY 3.0

O nível do rio Negro em Manaus chegou a 16,59 metros nesta terça-feira (27), 2,74 metros abaixo do registrado na mesma data de 2025, quando a cota era de 19,33 metros. Os dados são do monitoramento do Porto de Manaus e mostram que a vazante continua na capital amazonense, em meio à estiagem que atinge o Amazonas.

Entre os dias 2 e 27 de outubro, o rio baixou 2 metros: passou de 18,59 metros para 16,59 metros. Apesar da queda, a descida das águas foi menos intensa do que no mesmo período do ano passado. Em 2025, o nível recuou 3,11 metros entre 2 e 27 de outubro, e, com isso, a diferença entre as cotas dos dois anos diminuiu ao longo do mês.

46 municípios em emergência

Segundo boletim da Defesa Civil divulgado pelo governo do Amazonas no sábado (24), 46 municípios do estado estão em situação de emergência por causa da seca dos rios e dos incêndios florestais. Ao todo, 113,9 mil famílias foram afetadas.

A lista inclui cidades como Parintins, Tefé, Coari, Manacapuru, Humaitá, Lábrea, Maués, Borba, Autazes, Benjamin Constant, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva. Outros 12 municípios estão em situação de alerta, entre eles a própria capital, Manaus, além de Barcelos, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga estão em situação de atenção.

El Niño preocupa

No boletim mensal divulgado em 1º de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou que a confirmação do fenômeno El Niño exige atenção para a evolução da seca na Região Norte. De acordo com o órgão, as bacias dos rios Negro e Branco concentram o cenário de maior preocupação na Amazônia.

O monitoramento aponta que os baixos níveis dos rios, somados ao déficit de chuvas e às previsões climáticas desfavoráveis, exigem acompanhamento contínuo da estiagem. Para os rios Amazonas, Solimões e Tapajós, a projeção é de continuidade da vazante dentro do comportamento histórico, com possibilidade de prolongamento caso o retorno das chuvas atrase.

Fumaça e focos de incêndio

A estiagem também vem acompanhada de queimadas. Dados do Painel do Fogo apontam 2.330 focos de incêndio no Amazonas no período de um mês. Na manhã desta terça, municípios do interior registraram qualidade do ar entre moderada e muito ruim, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A maior concentração de poluentes foi medida em Itapiranga (112,5 microgramas por metro cúbico), seguida de Itacoatiara (107,6 µg/m³). Em Manaus, a qualidade do ar era moderada em todos os sensores da plataforma.

Para esta terça, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) previa céu com muitas nuvens e possibilidade de chuvas isoladas no leste do Amazonas, enquanto as chuvas e trovoadas se concentravam no sul, centro, oeste e noroeste do estado.

Com informações do g1 Amazonas, da Defesa Civil do Amazonas, do Serviço Geológico do Brasil e da Agência Brasil.

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