Centrão se reúne com Hugo Motta para tentar mudar o sistema eleitoral ainda em 2026

 Centrão se reúne com Hugo Motta para tentar mudar o sistema eleitoral ainda em 2026

O presidente da Câmara, Hugo Motta, durante sessão no plenário (imagem de arquivo, 2025). Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados – CC BY 1.0

Presidentes de partidos do chamado Centrão se reúnem nesta quarta-feira (28) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir uma mudança no sistema de eleição de deputados ainda neste ano, antes da posse dos parlamentares eleitos em outubro. A informação é do jornal O Globo. Líderes das siglas também devem participar do encontro.

Segundo a reportagem, a iniciativa ganhou prioridade depois do resultado das urnas. O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro. Já União Brasil, PP, PSD, MDB e Republicanos, somados, elegeram 207 parlamentares, 19 a menos do que têm hoje.

Menos peso para os “puxadores de votos”

A ideia, de acordo com O Globo, é reduzir a influência dos chamados puxadores de votos, candidatos com votação suficiente para eleger outros nomes do mesmo partido. Neste ano, 33 dos 513 eleitos estiveram nessa situação. Os principais foram Nikolas Ferreira (PL-MG), que ajudou a eleger outros 13 deputados do PL em Minas Gerais; Lucas Pavanato (PL-SP), que puxou outros sete; e Erika Hilton (PSOL-SP), que contribuiu para mais três vagas do partido em São Paulo.

Hoje, os deputados federais são eleitos pelo sistema proporcional, em que as cadeiras são distribuídas conforme a votação de partidos e federações.

Distrital misto ou distritão

Dois modelos estão em discussão, segundo integrantes do Centrão ouvidos pelo jornal. No distrital misto, parte dos deputados é eleita pelo voto em candidatos de distritos eleitorais e a outra parte por listas definidas pelos partidos. O deputado Domingos Filho (PSD-CE) defende esse formato, que já valeria para as eleições municipais de 2028.

No distritão, defendido pela deputada Renata Abreu (Podemos-SP), são eleitos os candidatos mais votados em cada estado, sem levar em conta o desempenho das legendas. Essa opção é considerada mais difícil, porque exige mudar a Constituição. Uma proposta de emenda constitucional (PEC) precisa de pelo menos 308 votos na Câmara, em dois turnos.

Ainda segundo O Globo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deu aval para que Motta articule um texto de consenso. A discussão, porém, não é unânime entre as legendas do Centrão e enfrenta resistência no PT e no PL. Um integrante da cúpula do grupo disse ao jornal ver dificuldade de a reunião desta quarta terminar com um acordo, mas os partidos pretendem insistir em levar o tema a votação até o fim do ano.

Com informações de O Globo.

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