França adota toques de recolher e vai reforçar policiamento com militares para protestos de sábado

 França adota toques de recolher e vai reforçar policiamento com militares para protestos de sábado

Veículo da polícia francesa em Paris (imagem de arquivo, 2023). Foto: Kevin.B/Wikimedia Commons – CC BY-SA 4.0

O governo da França vai enviar forças militares para reforçar o policiamento durante os protestos previstos para o próximo sábado (24). O anúncio foi feito na terça-feira (20) pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, à Assembleia Nacional, segundo a agência Reuters, em texto publicado pela Agência Brasil.

“Vamos mobilizar a força Sentinelle, obviamente como substituto das forças de segurança interna. Principalmente para liberar a polícia e os gendarmes em sua missão de manter a ordem”, disse Nuñez. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que o destacamento para as manifestações será “massivo”.

Fim de semana de saques

A decisão vem depois de um fim de semana de saques e confrontos entre manifestantes e a polícia, que se seguiu a semanas de protestos estudantis. Segundo a Reuters, cerca de 2,4 mil pessoas foram presas, um manifestante morreu de parada cardíaca no sábado (17) e quase mil policiais ficaram feridos. A Federação do Comércio e do Varejo informou que quase 3 mil lojas foram afetadas.

Na segunda-feira (19), Lecornu pediu que autoridades locais impusessem toques de recolher localizados, sem descartar um estado de emergência. Os toques de recolher noturnos passaram a valer em bairros afetados das maiores cidades e, segundo o premiê, “contribuíram para a calma da noite passada”. Em Lille, a medida vale apenas para menores de idade; em Marselha, o prefeito Benoit Payan anunciou restrições para menores nas áreas comerciais.

Pressão política

Os protestos começaram com estudantes do ensino médio contra a queda na qualidade do ensino e a degradação das escolas e se somaram à insatisfação com o aumento dos preços. Lecornu atribuiu parte da violência a grupos de extrema-esquerda; o candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon cobrou provas. O presidente Emmanuel Macron recusou a oferta de renúncia de Nuñez e cobrou explicações sobre o que chamou de “falhas de inteligência e previsão”.

Os distúrbios ocorrem a seis meses da eleição presidencial francesa. Houve também protestos inspirados nos franceses em outros países, como Itália e Albânia.

Com informações da Reuters e da Agência Brasil.

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