Flávio Bolsonaro cruza fronteira com a Argentina e embarca em voo privado; PF avalia próximos passos

 Flávio Bolsonaro cruza fronteira com a Argentina e embarca em voo privado; PF avalia próximos passos

O senador Flávio Bolsonaro (imagem de arquivo, 2022). Foto: Agência Senado/Wikimedia Commons – CC BY 2.0

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25), deixou o Brasil na noite de terça-feira (27) pela fronteira com a Argentina. A informação foi confirmada na madrugada desta quarta-feira (28) pela Direção Nacional de Migrações da Argentina.

Segundo o órgão argentino, Flávio, a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na província de Misiones, às 22h50. A Migração afirmou que os quatro apresentaram documentação válida e não tinham impedimento legal para entrar no país.

Voo privado com destino a Guayaquil

Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, a família embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. Pelo plano de voo informado pelas autoridades argentinas, o destino era Guayaquil, no Equador. O comunicado não diz se a cidade equatoriana seria o destino final. De acordo com o g1, a aeronave mostrada pelo canal argentino C5N no aeroporto de Puerto Iguazú é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW.

Jornais como o Estadão e o portal argentino Infobae informaram que o voo seguiria para os Estados Unidos. Fontes ouvidas pela BBC News Brasil afirmaram que o senador chegou à Flórida e se encontrou com o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A Reuters e o jornal The New York Times também informaram, com base em fontes anônimas, que o destino eram os EUA. Até a última atualização desta reportagem, o governo americano não havia confirmado oficialmente a chegada do senador.

Ordem de Moraes e risco de fuga

Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes de Flávio e o proibiu de deixar o país, a pedido da Polícia Federal (PF). A decisão foi tomada no inquérito em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro. O caso corre em sigilo. Moraes também mandou cancelar todos os passaportes brasileiros do senador, inclusive os diplomáticos, e exigiu a entrega do passaporte italiano, segundo o g1. Flávio foi intimado na segunda-feira (26) e não entregou os documentos até o fim do prazo, às 11h de terça.

No pedido, a PF apontou “risco concreto de evasão do território nacional”, segundo a Folha de S.Paulo. A corporação citou a saída de Willer Tomaz do país em agosto, a estrutura que Eduardo Bolsonaro manteria nos Estados Unidos e uma declaração de Eduardo defendendo que o irmão deixasse o Brasil em caso de derrota. Em vídeo publicado na segunda, Flávio criticou a decisão: “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”.

Reações

Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA afirmou à BBC e à TV Globo que o órgão concederá vistos a Flávio e à família e permitirá a entrada deles no país. Nesta quarta, o presidente Donald Trump disse a jornalistas que aprova a ida do senador: “Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas”, afirmou, segundo o g1.

Lula criticou a saída na terça, durante comemoração de seu aniversário em Brasília. “Quem não deve não teme, o cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, disse o presidente, de acordo com a BBC. Aliados do senador falaram em perseguição política.

Segundo o jornal O Globo, a PF avalia pedir ao STF o bloqueio de bens do senador e uma eventual prisão preventiva, e integrantes da defesa temem a expedição de um mandado de prisão. Até a publicação desta reportagem, não havia nova decisão de Moraes sobre o caso.

Com informações do g1, da Folha de S.Paulo, do Estadão, de O Globo, da BBC News Brasil e da Reuters.

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