“Não seja covarde”: Dorinaldo Malafaia cobra Delegado Caveira no Plenário após relato de ofensa a Célia Xakriabá
Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) no Plenário da Câmara em 28/10/2026, com Célia Xakriabá (PSOL-MG) ao fundo. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
Uma discussão entre deputados interrompeu as falas no Plenário da Câmara dos Deputados na tarde de quarta-feira (28). O deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) pediu a palavra para reclamar de ofensas que atribuiu ao deputado Delegado Caveira (PL-PA), dirigidas primeiro à deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) e depois a ele próprio, e cobrou que o colega falasse ao microfone: “Não seja covarde, deputado”.
O que mostra o vídeo
Na gravação oficial da sessão, por volta das 15h47, Dorinaldo diz que há “uma questão de decoro” e enumera: “Primeiro, ofensa à deputada que estava no plenário. Depois, a ofensa a mim”. Em seguida, afirma que “é comum deste cidadão aqui ofender todo mundo, e não é no microfone” e pede: “Use o microfone, seja claro”. Enquanto o presidente da sessão, deputado Charles Fernandes (PSD-BA), pedia calma, o deputado do Amapá completou: “Ninguém tem medo de Vossa Excelência”.
Charles Fernandes chamou os dois parlamentares pelo nome e pediu respeito: “Vamos respeitar a palavra do outro deputado. Cada um vai ter a oportunidade de fazer uso da palavra, sempre respeitando o colega, com as suas divergências políticas”. As frases atribuídas a Caveira não aparecem de forma audível na transmissão oficial.
O relato de Célia Xakriabá
Pouco antes, Célia Xakriabá havia discursado celebrando o resultado do segundo turno e criticando Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Nas redes sociais, ela publicou um vídeo do episódio e escreveu: “Fui mandada calar a boca pelo deputado Caveira, que também disse que eu venho do lado dos demônios”. A deputada afirmou que não vai aceitar intimidações. “Quando tentam silenciar uma mulher indígena, não é só a minha voz que tentam calar”, disse.
Na mesma sessão, a deputada Erika Kokay (PT-DF) usou a tribuna para criticar a atitude. Segundo ela, um parlamentar não pode mandar uma colega “calar a boca simplesmente porque ele não concorda com o que ela está falando”. Mais tarde, Dorinaldo voltou ao tema em discurso e afirmou que a postura do colega foi “um péssimo exemplo” para o país.
O outro lado
Delegado Caveira, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, não se manifestou ao microfone durante o trecho exibido. Até a publicação desta reportagem, o Cidade Agora não encontrou manifestação pública do deputado sobre as acusações. O espaço segue aberto para o parlamentar.
A discussão ocorreu no período de discursos que antecedeu as votações da quarta-feira, quando a Câmara aprovou o acordo do Mercosul para a proteção das mulheres contra a violência. Pelo Código de Ética da Câmara, condutas consideradas ofensivas entre parlamentares podem ser analisadas pelo Conselho de Ética, desde que haja representação.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo da sessão plenária de 28/10/2026), Portal O Fato, Pará Política e Uruá-Tapera.

