FBI acusa Coreia do Norte por ataque à Binance, o maior roubo de criptomoedas da história: US$ 6,3 bilhões em 20 minutos

 FBI acusa Coreia do Norte por ataque à Binance, o maior roubo de criptomoedas da história: US$ 6,3 bilhões em 20 minutos

Imagem ilustrativa: moeda com o símbolo do bitcoin sobre teclado de notebook. Foto: Satheesh Sankaran/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, acusou neste sábado (31) a Coreia do Norte pelo ataque hacker à Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. A ação resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) e é apontada como o maior assalto da história do setor.

Em comunicado, o FBI afirmou que o roubo foi executado pelo TraderTraitor, grupo de cibercriminosos patrocinado pelo governo norte-coreano. A ação levou cerca de 20 minutos. O valor supera com folga o recorde anterior, de US$ 1,5 bilhão, levado da corretora Bybit em 2025.

Corrida para lavar o dinheiro

De acordo com o FBI, os hackers estão convertendo os ativos roubados em criptomoedas da plataforma Ethereum, que permite transações sem intermediários. A expectativa é que usem serviços descentralizados e de troca instantânea para dificultar o rastreamento e concluir a lavagem do dinheiro. O órgão pediu que empresas do setor bloqueiem as transações ligadas aos endereços usados pelo grupo.

Antes da acusação oficial, as empresas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis já haviam atribuído o ataque ao TraderTraitor, que a empresa de cibersegurança Check Point diz ser conhecido no setor também como Lazarus Group, responsável pelo ataque à Bybit. A Chainalysis afirmou ter “alto nível de confiança” na ligação com a Coreia do Norte. O regime norte-coreano já negou, no passado, envolvimento em ataques cibernéticos. Agências de segurança ocidentais afirmam que o dinheiro roubado por esses grupos financia os programas de armas nucleares e de mísseis do país.

Como o ataque começou

Segundo o co-CEO da Binance, Richard Teng, a investigação preliminar da empresa indica que o ataque começou com o laptop comprometido de um engenheiro. “Isso deu ao invasor acesso a um ambiente de serviço, onde ele enviou transações de saque não autorizadas”, disse ele em comunicado. Teng ressaltou que não se tratou de uma ação simples de “um clique” e que, até o momento, não há evidência de vazamento da chave privada da carteira.

O presidente americano Donald Trump já havia dito, na sexta-feira, que os Estados Unidos investigavam a participação de hackers ligados à Coreia do Norte. “Você sabe como era antigamente, quando você assinava um cheque e o sacava? Essas pessoas são diferentes. Nunca mais vemos o dinheiro. Então, sempre achei isso um pouco perigoso”, afirmou.

E os clientes brasileiros?

A Binance afirma que já cobriu 90% do valor das perdas e que dez criptomoedas, entre elas bitcoin (BTC) e ether (ETH), estão com valores totalmente cobertos. A empresa diz que usará recursos próprios para evitar prejuízo aos clientes e que seguirá comprando os demais ativos até repor 100% do valor roubado.

Ainda segundo a corretora, os investimentos de clientes brasileiros permaneceram seguros porque ficam em cold wallets, as carteiras frias, que guardam as chaves das criptomoedas desconectadas da internet. Mesmo assim, os saques chegaram a ser suspensos temporariamente. A Binance disse que, no Brasil, segue as regras do Banco Central, que desde fevereiro exige a separação entre os recursos dos usuários e os da corretora. A exigência, porém, não elimina o risco de ataques hackers nem garante o ressarcimento de perdas.

Após os primeiros alertas sobre o ataque, o bitcoin chegou a cair mais de 4%, e outras criptomoedas importantes, como Ethereum e Solana, também recuaram.

Com informações de g1 e BBC News Brasil.

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