“Gestapo do bolsonarismo”: Otoni de Paula compara listas de boicote a apoiadores de Lula ao nazismo

 “Gestapo do bolsonarismo”: Otoni de Paula compara listas de boicote a apoiadores de Lula ao nazismo

Otoni de Paula (PSD-RJ) na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara em 28/10/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) comparou as listas de boicote a comerciantes e profissionais apontados como apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passaram a circular depois do segundo turno, à perseguição promovida pelo nazismo contra comerciantes judeus. A declaração foi feita na quarta-feira (28), na reunião deliberativa da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.

“O que nós estamos assistindo é um horror, é um crime civilizatório”, disse o parlamentar. Em seguida, afirmou que, após as eleições, “a única coisa que nós podemos traçar de paralelo na história” é o período em que a Gestapo, na Alemanha dominada pelo nazismo, colocava cartazes “nas lojas e no comércio que tinham donos judeus”, para que os alemães não comprassem nesses lugares. “O que nós estamos vendo hoje no Brasil é a gestapo do bolsonarismo”, declarou.

Otoni disse ainda que o país vive “uma perseguição que lembra muito o que Hitler conseguiu implantar na Alemanha e que, graças a Deus, o bolsonarismo não conseguiu e não conseguirá implantar nesse país”. Pastor e ex-aliado de Jair Bolsonaro, o deputado rompeu com o ex-presidente, declarou apoio a Lula ainda no primeiro turno e não foi reeleito. Na mesma fala, afirmou: “Eu sou a prova de que não precisa ser de esquerda, ou progressista, ou petista, ou lulista para defender a democracia”.

O que são as listas

Desde a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), no domingo (25), listas com nomes de comércios, restaurantes, profissionais liberais e até grandes empresas passaram a circular em grupos de mensagens, redes sociais e em um site, com pedidos de boicote e, em alguns casos, de demissão de trabalhadores que votaram no petista. Há registros em capitais como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro e em cidades do interior paulista, de Minas Gerais e de Alagoas.

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e outros parlamentares pediram à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) uma investigação nacional. O MPT afirma que a prática pode configurar assédio eleitoral, crime eleitoral e ilícito trabalhista. A OAB e entidades empresariais também criticaram as listas.

O outro lado

Do lado da oposição, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu o boicote em vídeo nas redes sociais. Ele afirmou que “temos o direito de escolher para onde vai o nosso salário” e disse que empresários, artistas e influenciadores acusaram eleitores de direita de serem “extremistas, nazistas, genocidas, golpistas”. Juristas ouvidos pelo UOL afirmam que escolher onde consumir é um direito, mas que ameaças, perseguição ou exposição de pessoas podem levar a punição na Justiça.

Com informações de Câmara dos Deputados (vídeo da reunião da Comissão de Direitos Humanos de 28/10/2026), CNN Brasil, Folha de S.Paulo, UOL, Agência Brasil e g1.

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