Gaeco investiga advogados por fraude em ações em nome de aposentados na região de Ribeirão Preto; um é preso
Vista de Ribeirão Preto (imagem ilustrativa). Foto: And Ribeirão 1980/Wikimedia Commons – CC0
Um advogado foi preso em Ribeirão Preto na manhã de terça-feira (20) em uma das duas operações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo contra um esquema de ajuizamento em massa de ações contra bancos, principalmente em nome de aposentados e pensionistas, segundo o g1 Ribeirão Preto e Franca e a EPTV.
Guilherme Menna Barreto Gentil, que atuava em Ribeirão Preto e Altinópolis, foi levado à Central de Polícia Judiciária (CPJ). Até a última atualização da reportagem, a defesa dele não havia sido localizada.
Duas operações
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Ribeirão Preto, Franca e Altinópolis, e a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 6.149.840,00 em bens e valores, somados os limites das duas ações. Segundo o Gaeco, elas apuram grupos distintos, e ainda não há conclusão sobre ligação entre eles.
- Operação Libelo: seis mandados (quatro em Ribeirão Preto e dois em Altinópolis) e bloqueio de até R$ 3 milhões. Começou após a identificação de mais de dois mil processos semelhantes patrocinados por um mesmo advogado só em Altinópolis, sobre consignados, tarifas bancárias e negativação indevida. Libelo é a petição que inicia uma ação.
- Operação Garatéia: feita com a Polícia Militar, cumpre cinco mandados em Franca, com bloqueio de até R$ 3.149.840,00. O nome se refere a um anzol de três pontas.
Como funcionaria o esquema
A investigação começou em 2024, após indícios de que escritórios da região usavam procurações antigas ou genéricas para propor milhares de ações em nome de aposentados e pensionistas, em alguns casos sem que eles soubessem. Segundo o MP, uma única procuração era usada para várias ações do mesmo cliente. Também é apurado se valores obtidos nesses processos foram retidos sem repasse aos clientes. O Tribunal de Justiça de São Paulo aponta mais de 12 mil ações ajuizadas pelo grupo entre 2022 e 2025.
De acordo com o Ministério Público, o núcleo atuava principalmente a partir de Altinópolis e Ribeirão Preto, com ramificações em Campo Grande e Iguatemi (MS), e há processos dos advogados mapeados em outras regiões do país.
Com informações do g1 Ribeirão Preto e Franca, da EPTV e do Gaeco/MP-SP.

