Rodrigo da Zaeli diz que Brasil terá “o imposto mais caro do mundo” após TCU calcular CBS em 11,3%; Fazenda fala em média abaixo de 8,5%
Rodrigo da Zaeli (PL-MT) no Plenário da Câmara em 03/11/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT) afirmou na tribuna da Câmara dos Deputados, na tarde de terça-feira (3), que o Brasil terá “o imposto mais caro do mundo” depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) calculou em 11,3% a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o novo tributo federal sobre o consumo criado pela reforma tributária. O Ministério da Fazenda contesta a leitura e diz que a alíquota média efetiva ficará abaixo de 8,5%.
O que disse o deputado
Nas Breves Comunicações, por volta das 15h57, Zaeli declarou: “Nós teremos o maior imposto do mundo, o maior IVA do mundo”. Segundo ele, a CBS “era para ser de 8,8%” e, “segundo a determinação do Tribunal de Contas da União, será de 11,3%”. O parlamentar somou a esse número uma estimativa de 19,7% para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de estados e municípios, e concluiu que a carga “vai para mais de 30%”. “Então, nós vamos ter o imposto mais caro do mundo”, disse, acrescentando que a promessa do candidato que venceu as eleições era de reduzir impostos e que, “já na primeira semana”, veio “essa triste e salgada notícia”.
O que decidiu o TCU
O TCU aprovou o cálculo em 28 de outubro, em sessão extraordinária relatada pelo presidente da corte, ministro Vital do Rêgo. A CBS vai substituir o PIS e a Cofins a partir de 2027. O cálculo, previsto na Lei Complementar 214/2025, busca manter o nível da arrecadação federal. “Não se buscou a maior arrecadação possível, nem a menor alíquota imaginável”, disse o relator. O percentual ficou acima das estimativas usadas pelo mercado, de cerca de 8,8%, e da projeção de 9,21% do Comitê Gestor.
A palavra final é do Senado, que tem até 15 de dezembro para fixar a alíquota por resolução. Se não votar, valem os 11,3%. Na terça (3), o relator da reforma, senador Eduardo Braga (MDB-AM), disse que “todos nós fomos pegos de surpresa” e a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou uma audiência pública sobre o tema, prevista para o dia 10. A alíquota do IBS ainda não foi definida, e a lei obriga o governo a propor medidas de redução se a soma das alíquotas de referência passar de 26,5%.
O que diz o governo
A Fazenda afirma que os 11,3% são a alíquota máxima e que, com cesta básica e medicamentos com alíquota zero, redução de 60% para saúde e educação e o cashback para famílias de baixa renda, a alíquota média efetiva sobre o consumo ficará abaixo de 8,5%. O ministro Dario Durigan disse na terça (3) que o percentual dá condições para o Congresso rever “as exceções que a Fazenda foi contrária durante a tramitação” e reduzir a alíquota ao longo de 2027. A pasta também diz que o número da CBS não serve de base para calcular o IBS.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo e notas taquigráficas), TCU, Agência Senado, Valor Econômico, O Globo e Metrópoles.

