Eleições nos EUA: democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado e impõem derrota histórica a Trump

 Eleições nos EUA: democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado e impõem derrota histórica a Trump

Imagem de arquivo (2018): fachada oeste do Capitólio, sede do Congresso dos EUA, em Washington. Foto: Beethoven/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos, nas eleições de meio de mandato (as chamadas midterms) realizadas na terça-feira (3). O resultado é uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump, cujo partido controlava a Câmara e o Senado.

Como ficou o placar

No Senado, os democratas chegaram a 54 das 100 cadeiras, contra 44 dos republicanos, com duas disputas ainda sem resultado na última atualização do g1. Eram necessárias 51 cadeiras para a maioria. O partido virou sete vagas, em Iowa, Kansas, Ohio, Maine, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Texas, segundo projeção da NBC News.

Na Câmara dos Representantes, os democratas somavam 228 cadeiras, contra 139 dos republicanos, com 68 ainda em apuração. São necessárias 218 das 435 cadeiras para a maioria absoluta. Até aquele momento, o partido havia “virado” 25 cadeiras que estavam com os republicanos. A NBC News estima que os democratas terminem com pelo menos 258 deputados. Nas disputas para governador, eles também tomaram dos republicanos os governos do Texas, da Geórgia, de Ohio e de Iowa.

O novo Congresso assume em janeiro.

Viradas em estados conservadores

Entre os resultados mais surpreendentes, James Talarico derrotou Ken Paxton no Texas, e Annie Andrews venceu Darline Graham na Carolina do Sul. Trump havia apoiado os dois candidatos derrotados. Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, por quem o presidente fez campanha várias vezes no estado.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff foi reeleito ao vencer o deputado Mike Collins, e em New Hampshire o deputado Chris Pappas derrotou o ex-senador John Sununu.

Preços altos, guerra e corrupção

Segundo a agência AP, a votação canalizou a frustração dos eleitores com os preços altos, a guerra no Irã e as preocupações com corrupção no governo. As pesquisas de boca de urna da NBC News mostraram desaprovação de 62% a Trump, e quase metade dos eleitores disse ver a eleição como uma oportunidade de repreender o presidente.

Trump promete aceitar resultado, mas fala em vetos

Depois da confirmação do controle democrata, Trump disse ao jornal “The New York Times” que vai aceitar a derrota. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, afirmou. “Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, declarou. Dias antes, ele havia dito que só reconheceria o resultado se as eleições “fossem limpas”.

Após os primeiros resultados negativos, porém, o presidente publicou a foto de um boné vermelho com a palavra “veto”. Em entrevista ao podcast “Pod Force One”, do “New York Post”, ele já tinha antecipado a estratégia: “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”. “Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, disse.

Como funcionam as midterms

Diferentemente do Brasil, o Congresso americano é renovado parcialmente a cada dois anos. Os deputados têm mandatos de dois anos e os senadores, de seis. Neste ano, estavam em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.

Com informações de g1, AP e NBC News.

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