Tadeu Veneri diz que combustível vai subir por causa do ICMS dos estados, não de Lula; oposição prevê diesel a R$ 9
Tadeu Veneri (PT-PR) no Plenário da Câmara em 03/11/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado Tadeu Veneri (PT-PR) usou a tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (3) para rebater a tese de que o presidente Lula será o responsável por uma alta dos combustíveis. Segundo ele, o aumento que já está marcado vem do ICMS cobrado pelos estados. “Falar que o combustível vai subir por conta do Lula é má-fé, burrice ou ambos”, disse, nas Breves Comunicações. “O combustível vai subir, sim. Sabem por que vai subir? Porque todos os Governadores aceitaram, a partir de janeiro e fevereiro, o reajuste do ICMS.”
O deputado citou os percentuais: “A gasolina sobe mais 4,5%, o diesel sobe mais 11,1%, e o gás da cozinha sobe mais 4,8%”. E acrescentou que o governo federal “tem mantido os preços” com subsídios, “para que não suba o que poderia subir por preços internacionais”.
Na mesma sessão, minutos antes, o deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) havia feito a previsão oposta, culpando o governo: “Pagam-se 7 reais no litro do diesel. Em menos de 30 dias, vai ser 9 reais o litro do diesel”. Para ele, “tudo vai ficar mais caro”, porque a comida chega à mesa em caminhões movidos a diesel. Veneri não citou o colega pelo nome.
O que diz o reajuste do ICMS
Os números citados por Veneri batem com os convênios ICMS 127 e 128/2026, aprovados pelos estados e pelo Distrito Federal no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e publicados no Diário Oficial da União em 28 de outubro. Desde 2022, o ICMS desses produtos é um valor fixo por litro ou quilo. A partir de 1º de fevereiro de 2027, ele passa de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro na gasolina (+4,5%), de R$ 1,17 para R$ 1,30 no diesel (+11,1%) e de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo no gás de cozinha (+4,8%). No botijão de 13 kg, são R$ 0,91 a mais de imposto, segundo a Exame.
O Comsefaz, comitê dos secretários estaduais de Fazenda, afirma que não se trata de uma decisão política. Segundo o comitê, é a atualização anual exigida pela Lei Complementar 192/2022, calculada com os preços médios da ANP de fevereiro a setembro. Diante da instabilidade do petróleo, os estados dizem estudar formas de reduzir a correção do diesel. O repasse às bombas não é automático e depende também da Petrobras, das distribuidoras e dos postos.
E o preço nas refinarias?
A pressão maior sobre o diesel vem de fora. O governo prorrogou em 27 de outubro, por mais 30 dias, a subvenção de R$ 2,12 por litro a produtores e importadores, e há um adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel importado, informou o InfoMoney. Mesmo assim, o Goldman Sachs estima que o diesel da Petrobras está cerca de 25% abaixo da paridade de importação. Já o Itaú BBA traçou cenários de reajuste de 13% a 25%. Até agora, não há anúncio oficial de aumento nem de diesel a R$ 9.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo e notas taquigráficas da sessão do Plenário de 03/11/2026), do Confaz, do Comsefaz, do g1, de O Globo, da Exame e do InfoMoney.

