Lula prepara pronunciamento na TV no domingo com compromisso fiscal e promete que não haverá estelionato eleitoral
Imagem de arquivo (2023): presidente Lula em reunião ministerial no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert/PR via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão no domingo (8), a primeira fala formal aos brasileiros depois da reeleição de 25 de outubro. Segundo assessores e fontes ouvidas por g1, Estadão/Broadcast, Reuters e SBT News, o discurso deve misturar agradecimento, pedido de pacificação e um aceno ao mercado financeiro, com o compromisso de cumprir as metas fiscais no quarto mandato.
Pelo relato de auxiliares ao blog do Valdo Cruz, no g1, Lula pretende garantir que “não haverá estelionato eleitoral” — expressão usada para casos em que o eleito adota medidas contrárias ao prometido na campanha — e, ao mesmo tempo, afirmar que o governo terá responsabilidade fiscal. Outro interlocutor disse que a intenção é gerar superávits primários ao longo de todo o mandato, preservando programas sociais e as promessas de campanha.
Metas e equipe econômica
O presidente discute medidas fiscais com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento), segundo o g1 e o Estadão. Durigan já contatou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para negociar a aprovação de medidas ainda neste ano. Para 2027, a previsão citada pelo governo é de superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Durante a campanha, assessores afirmaram que Lula se comprometeria com as metas de superávit das diretrizes orçamentárias enviadas ao Congresso. A Reuters informa que o plano prevê superávit primário efetivo de 1,3% do PIB até 2030, diante de um déficit projetado de 0,4% do PIB neste ano. Fontes ouvidas pela agência disseram, sob condição de anonimato, que o discurso de domingo deve apresentar prioridades econômicas do novo mandato, sem necessariamente detalhar políticas específicas.
Pressão do mercado
Desde a reeleição, ativos brasileiros sofreram pressão, com real enfraquecido, queda das ações e alta dos juros de mercado, segundo a Reuters. O Estadão/Broadcast descreveu uma “sangria histórica” no primeiro pregão da Bolsa após a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O Copom, na quarta-feira (4), manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu a sequência de cortes — decisão já noticiada pelo Cidade Agora.
Assessores citados pelo SBT News destacam que a mensagem reforça o discurso oficial: manter as metas sem cortar direitos, ainda que o mercado duvide. Agentes econômicos cobram, por exemplo, revisão da valorização real do salário mínimo ou desvinculação de reajustes da Previdência; segundo a mesma reportagem, Lula não pretende ceder a essa pressão e quer um ajuste que preserve os programas sociais.
Agradecimento e pacificação
No pronunciamento, Lula também deve agradecer à reeleição, com destaque para mulheres, jovens e idosos, e dizer que vai trabalhar pela pacificação do país, conforme o g1. O Estadão acrescenta que ele reconhecerá o cenário polarizado das urnas e pedirá união em torno dos projetos do governo. A fala foi anunciada na semana passada, após um almoço com o deputado André Janones (Rede-MG).
Na terça-feira (3), antes de exames médicos em São Paulo, Lula passou horas reunido com Durigan e Moretti no Palácio da Alvorada, segundo o Estadão. A expectativa de interlocutores é que medidas de contenção de gastos e aumento de arrecadação sejam detalhadas nas próximas semanas, além do recado de domingo.
Com informações de g1, Estadão/Broadcast, Reuters e SBT News.

