Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe sequência de cortes na primeira reunião após a reeleição de Lula
Imagem de arquivo (2023): edifício-sede do Banco Central, em Brasília. Foto: Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciada em março, quando a taxa estava em 15% ao ano.
Foi a primeira reunião do comitê, presidido por Gabriel Galípolo, depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manutenção era a aposta da maior parte do mercado: segundo levantamento do Valor, 72 de 105 bancos e consultorias esperavam a pausa, enquanto 33 projetavam mais um corte de 0,25 ponto. Na pesquisa da Bloomberg, 26 de 31 economistas previam a taxa parada.
“Serenidade e cautela”
No comunicado, o Copom afirma que o quadro atual, “caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”.
Segundo o BC, a decisão é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”. O comitê disse ainda que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, sem indicar os próximos passos.
Inflação acima do teto
De acordo com o Copom, a inflação cheia e a média dos núcleos aceleraram nas divulgações mais recentes e estão acima do limite superior do intervalo de tolerância. O IPCA acumulado em 12 meses passou de 4,22% em agosto para 4,58% em setembro, segundo o IBGE. A meta é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
As expectativas do mercado também pioraram. Pela pesquisa Focus, citada no comunicado, a inflação esperada é de 5,2% para 2026 e de 4,8% para 2027. A projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028, o horizonte que orienta as decisões, subiu de 3,4% para 3,5%.
No cenário externo, o BC cita o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo e derivados, e juros mais altos nas economias avançadas. No Brasil, o comitê vê uma “moderação mais acentuada da atividade econômica” e um mercado de trabalho que segue resiliente, mas com sinais de desaquecimento. O Copom também disse acompanhar como a política fiscal afeta os juros e os ativos financeiros.
Maior juro real em ranking de 40 países
Com a Selic em 13,75%, o Brasil lidera um ranking de 40 países elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence, segundo o g1. Descontada a inflação estimada para os próximos 12 meses, o juro real brasileiro é de 8,45% ao ano, à frente da Rússia, com 6,79%.
Para o agronegócio, a manutenção preocupa. Ouvido pela CNN Brasil, o analista de macroeconomia do Rabobank Renan Alves afirmou que o banco espera a Selic em 13,75% até março de 2027, com retomada gradual dos cortes depois disso e a taxa encerrando o próximo ano em 12%. “A gente não consegue ver os juros abaixo de dois dígitos, pelo menos até o final de 2028”, disse.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.
Com informações do Banco Central, g1, Valor Econômico, CNN Brasil e Bloomberg Línea.

