Credcesta: suspender descontos ou manter? Capitão Alden cobra Jerônimo no Plenário; governo da Bahia diz que contrato está em análise

 Credcesta: suspender descontos ou manter? Capitão Alden cobra Jerônimo no Plenário; governo da Bahia diz que contrato está em análise

Capitão Alden (PL-BA) no Plenário da Câmara em 04/11/2026. Vídeo: Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)

O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) cobrou do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), a suspensão dos descontos do Credcesta, o cartão consignado que era operado pelo Banco Master, na folha de pagamento dos servidores estaduais. A fala foi feita no Plenário da Câmara dos Deputados na quarta-feira (4), durante os discursos parlamentares.

“Governador Jerônimo Rodrigues, por que que a Bahia ainda não suspendeu os descontos do Credcesta do Banco Master?”, perguntou o deputado. Ele citou policiais e bombeiros militares, professores, aposentados e pensionistas, que, segundo ele, “precisam ter a segurança de que os descontos realizados em seus contracheques são legítimos”. Alden afirmou que há “mais de 500 mil servidores afetados”, número que não foi confirmado pelo governo estadual.

O parlamentar disse que não defende o perdão de dívidas: “Não estamos defendendo o perdão da dívida regularmente contratada. Estamos exigindo transparência, fiscalização e proteção contra cobranças indevidas”. Ele contou ter enviado ofício ao governador e à Secretaria da Administração (Saeb) pedindo a suspensão cautelar e temporária dos descontos, auditoria dos contratos e um canal para os servidores contestarem cobranças.

Rio prorrogou a suspensão

Na mesma fala, Alden citou o Rio de Janeiro. O governo fluminense prorrogou a suspensão cautelar dos descontos consignados ligados ao Banco Master e ao Credcesta também na folha de novembro, pelo Decreto Estadual nº 50.551, de 29 de outubro, e abriu prazo para os servidores contestarem cobranças que não reconhecem. O deputado disse ainda que Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Ilhéus adotaram medidas semelhantes.

O Credcesta nasceu na Bahia, ligado à antiga Ebal, e foi incorporado ao Banco Master em 2020. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025 e, em fevereiro de 2026, a do Banco Pleno. Os contratos seguiram válidos e os descontos continuaram, agora sob acompanhamento do liquidante. Há liminares na Justiça baiana suspendendo descontos de servidores, e uma associação de servidores contesta no Tribunal de Justiça a exclusividade do programa.

O que diz o governo da Bahia

Em nota enviada ao Poder360 em julho, o governo baiano afirmou que o Credcesta é um benefício para o servidor desde 1996 e “deve ser mantido como programa”, com o contrato atual em análise. Segundo o Estado, a empresa não faz novas operações desde fevereiro, e todas as operações com desconto em folha “foram contraídas, autorizadas e contratadas diretamente pelos respectivos servidores”, por isso “não pode se falar em falhas do Estado”. Jerônimo Rodrigues já disse que aguarda parecer da Procuradoria-Geral do Estado e que, se o banco não tiver condição de operar, “a lógica é rever o contrato”.

Suspender os descontos até a auditoria ou manter os contratos enquanto cada caso é analisado? Comente.

Com informações da Câmara dos Deputados, do Poder360, do UOL, do Bahia.ba, do Fosperj e do Jequié Repórter.

Related post