Rombo do RS: Zucco pedirá ajuda a Lula ou engole o discurso? Bohn Gass cita déficit de R$ 4,8 bi
Bohn Gass (PT-RS) no Plenário da Câmara em 05/11/2026. Vídeo: Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado Bohn Gass (PT-RS) usou a tribuna do Plenário da Câmara nesta quinta-feira (5) para cobrar do governador eleito Luciano Zucco (PL) uma mudança de postura diante do rombo nas contas do Rio Grande do Sul. No discurso, citou o déficit oficial de R$ 4,8 bilhões projetado pelo governo Eduardo Leite (PSD), alertou que o futuro secretário da Fazenda vê um buraco ainda maior e provocou: Zucco pedirá ajuda a Lula ou engolirá o próprio discurso?
O que disse o deputado
Gass lembrou que Zucco, eleito em outubro com 58% dos votos válidos, foi um dos críticos mais duros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Câmara — chegou a chamá-lo de mentiroso e incompetente e a defender o impeachment. Agora, afirmou, o gaúcho “terá que enfrentar a realidade”.
Segundo o petista, Leite entrega um déficit oficial de R$ 4,8 bilhões, mas o deputado estadual Cláudio Branchieri (PL) — cotado para a Fazenda e relator do orçamento de 2027 — já teria avisado que o orçamento é “uma fantasia” e que o rombo é maior. “Será inevitável buscar ajuda de quem? Do Governo Federal”, disse Gass. Completou que Zucco “vai ter que engolir o próprio discurso” e que “o ódio pode até ganhar votos, mas não paga a conta”.
Gass também afirmou que Lula destinou mais de R$ 100 bilhões ao Estado nas enchentes e que o presidente receberá Zucco como governador eleito, não como opositor.
O que dizem as contas — e o outro lado
A cifra de R$ 4,8 bilhões aparece na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na proposta de orçamento de 2027 enviada pelo Palácio Piratini. O governo Leite classifica o cenário como “equilíbrio fiscal frágil” e, em audiência nesta quinta (5) na Assembleia, afirmou ter caixa para manter salários e serviços em dia.
Do lado da transição, Branchieri projeta déficit perto de R$ 7 bilhões, citando condicionantes da peça orçamentária — entre elas a adesão ao Propag (programa de dívida com a União) — e admite risco de desequilíbrio, embora diga que parcelar salários não está nos planos. A divergência Leite × equipe Zucco foi tema de audiência pública na Comissão de Finanças da Assembleia no mesmo dia do discurso de Gass.
Sobre os R$ 100 bilhões das enchentes, o governo federal divulga totais na casa de R$ 100–112 bilhões em medidas de apoio; análises da imprensa apontam, porém, que o volume de recursos novos efetivamente aplicados é menor do que o anúncio consolidado — o que mantém a disputa política em torno do tamanho da ajuda.
Ajuda federal ou ajuste próprio?
O embate resume duas leituras: a bancada petista vê inevitável diálogo com Brasília e cobra coerência de quem fez oposição dura a Lula; a transição de Zucco enfatiza revisão de gastos, qualidade do orçamento e alerta para um rombo maior do que o oficial, sem assumir de antemão pedido de socorro. A posse está marcada para 6 de janeiro de 2027.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo e notas taquigráficas da sessão, CC BY 4.0), G1, GZH, Agência Brasil e Assembleia Legislativa do RS.

