Lula no CNPE cita seriedade fiscal e diz que pobre não pagará a conta do ajuste
Imagem de arquivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no Ministério de Minas e Energia, que o Brasil tem “seriedade fiscal” e que a população de baixa renda “não pagará a conta” de um eventual ajuste nas contas públicas. As declarações ocorrem em meio a cobranças de economistas e do mercado financeiro por contenção de gastos após a reeleição de 25 de outubro.
“Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que temos? Qual a dívida dos Estados Unidos? Da França? Do Japão? Da Itália? Perto da nossa, é o dobro, em relação ao PIB?”, questionou o petista, segundo o g1 e o jornal O Globo. Em seguida, cobrou do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresentasse à imprensa dados da dívida pública brasileira, destacando a situação fiscal do país no início de 2023, quando o PT voltou ao Planalto.
“Para alguém falar que a gente não tem [responsabilidade], precisa dizer como a gente pegou esse governo. Se não disser como encontramos esse governo, as pessoas não têm comparativo”, declarou Lula, conforme o g1.
Superávit no orçamento e “pobre não pagará a conta”
O presidente reforçou que o governo entrega agora um orçamento com superávit — cenário em que as receitas superam as despesas — depois de ter encontrado déficit de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB). “Nós pegamos esse governo com déficit de 2,8% e nós estamos entregando orçamento com superávit. Não é o que o sistema financeiro quer, porque ele quer tudo. É o que a gente pode fazer. A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, afirmou, segundo g1, CNN Brasil e Folha de S.Paulo.
O Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado pelo Executivo em agosto prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões para 2027, ainda sujeito à análise do Congresso, conforme a Folha. A mensagem se soma ao anúncio de que Lula deve fazer, no domingo (8), um pronunciamento em cadeia de rádio e TV com compromisso fiscal — pauta já noticiada pelo Cidade Agora, distinta das falas desta sexta no CNPE.
Pressão do mercado e resistência a cortes sociais
Desde a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, ativos brasileiros sofreram pressão, com real enfraquecido e juros de mercado elevados. Especialistas e o mercado cobram freio em despesas obrigatórias — Previdência, assistência e funcionalismo — para ancorar inflação e a Selic, mantida em 13,75% ao ano pelo Copom na quarta-feira (4). O Planalto resiste a cortes lineares em programas sociais, saúde e educação e defende que o debate inclua também a revisão de renúncias fiscais e o volume de emendas parlamentares, segundo o g1.
“Ano menos exitoso” e cobrança de entregas
No mesmo discurso, Lula admitiu que 2026 termina “menos exitoso” do que gostaria. “Gostaria que a economia estivesse crescendo 10%, desemprego zero, salário mínimo de R$ 5 mil. Gostaria [de] tudo bem maior, mas a gente consegue o que é possível construir”, disse, segundo o g1. Ainda segundo a Folha, o presidente afirmou que acompanhará pessoalmente o cumprimento de prazos: “Além da Casa Civil, o Lulinha vai ser fiscal do cumprimento de cada coisa que a gente aprovar… Estou com pressa.” O CNPE também aprovou resolução com diretrizes para reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis, com metas ligadas à COP31, na Turquia, entre 9 e 20 de novembro.
Com informações de g1, CNN Brasil, Folha de S.Paulo e O Globo.

