Copom decide os juros nesta quarta, e mercado passa a apostar no fim dos cortes da Selic após reeleição de Lula
Imagem de arquivo (2010): edifício-sede do Banco Central, em Brasília. Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça (3) e quarta-feira (4) para definir a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, e chega ao encontro com o mercado financeiro dividido. Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), a aposta majoritária deixou de ser um novo corte e passou a ser a manutenção da Selic. A decisão será anunciada na quarta, no início da noite.
A Selic chegou a 13,75% em 16 de setembro, quando o Copom reduziu a taxa de 14% no quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual desde março. Antes do segundo turno, um novo corte do mesmo tamanho era o cenário mais provável. Em 23 de outubro, as opções de Copom negociadas na B3 davam 76% de chance a essa redução.
Apostas viraram em uma semana
Depois do resultado da eleição, as apostas se inverteram. Na sexta-feira (30), as opções digitais de Copom fecharam com 72% de precificação para a manutenção dos juros e 26% para um corte de 0,25 ponto, segundo o economista-chefe da Quantitas Asset, Ivo Chermont, ao jornal O Globo. Uma pesquisa especial da Bloomberg feita de 27 a 29 de outubro mostrou que 8 de 18 economistas mudaram suas projeções e passaram a prever a Selic parada. Com isso, dez esperam estabilidade e oito ainda projetam queda para 13,50%.
Os analistas citam o aumento do risco fiscal e a disparada do dólar, que subiu 9% na semana passada e fechou a R$ 5,44. A inflação oficial, o IPCA, acumulava 4,58% em 12 meses até setembro, acima da meta de 3%, que tem tolerância de 1,5% a 4,5%. Segundo a Bloomberg Línea, parte dos economistas vê peso fiscal e efeito inflacionário em medidas anunciadas por Lula na campanha, como o reajuste do Bolsa Família, a PEC da gratuidade do transporte no fim de semana e o fim da escala 6×1.
Quem prevê pausa e quem prevê corte
O Itaú Unibanco prevê a manutenção. “Esperamos que o Copom comunique uma interrupção do ciclo de cortes de juros com manutenção da taxa Selic em 13,75%, em decisão unânime”, diz o banco, segundo a CNN Brasil. O BTG Pactual e o C6 Bank também esperam juros parados. O HSBC projeta Selic em 13,75% até março de 2027 e afirma que “é improvável que surjam medidas claras para conter os gastos públicos antes das reuniões do Copom de novembro e dezembro”. O banco revisou a projeção do IPCA para 5,1% em 2026 e 5% em 2027, e a do crescimento do PIB para 1,6% neste ano e 0,6% no próximo.
Outras instituições ainda esperam um último corte. O Inter, em relatório da economista-chefe Rafaela Vitória, prevê redução de 0,25 ponto agora e pausa em dezembro, mas avalia que a inflação pode encostar em 6% em 12 meses até fevereiro. A ASA e o Daycoval também esperam corte. Para Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, o comunicado vai pesar mais que a decisão: “Um corte bem justificado, com uma sinalização conservadora para o futuro, pode ser um sinal bem aceito pelo mercado”.
Antes da decisão, o mercado acompanha nesta segunda-feira (2) o Boletim Focus, do Banco Central. O último boletim, com respostas coletadas até 23 de outubro, antes do segundo turno, ainda previa Selic de 13,25% no fim de 2026. Na terça (3), as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos também podem mexer com o dólar e os juros no Brasil, segundo o g1.
Com informações de CNN Brasil, O Globo, Bloomberg Línea, Estadão, Meon e g1.

