“A outra opção era criminosa”: Otoni de Paula diz por que 60 milhões votaram em Lula
Otoni de Paula (PSD-RJ) na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara em 28/10/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) afirmou que os mais de 60 milhões de brasileiros que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno não o fizeram por paixão pelo petista, mas porque, segundo ele, “a outra opção era criminosa”. A declaração foi feita na quarta-feira (28), durante a reunião deliberativa da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.
Apontando para a câmera, o parlamentar disse, segundo o vídeo da reunião: “Eu preciso dizer para essa câmera aqui: os mais de 60 milhões de brasileiros que votaram em Lula não votaram porque eram apaixonados por Lula, não votaram porque são petistas, porque são progressistas ou porque são esquerdistas”. E completou: “Porque a outra opção era criminosa, a outra opção era terrivelmente antidemocrática, porque a outra opção era terrivelmente bandida. É por isso que a maioria dos 60 milhões de brasileiros deram ao presidente Lula o seu quarto mandato. É só por isso”.
Na mesma fala, Otoni afirmou que a “narrativa bolsonarista” teria tirado de boa parte da população a capacidade de raciocinar. Antes, ao chamar lideranças bolsonaristas de “diabólicas”, ressalvou que não se referia aos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), e sim às “cabeças pensantes” que, segundo ele, criam as narrativas do movimento. Pastor e ex-aliado de Jair Bolsonaro, o deputado rompeu com o ex-presidente, declarou apoio a Lula e não foi reeleito em outubro.
O resultado das urnas
Segundo a totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), contra 48,21% (59.826.041 votos) do senador Flávio Bolsonaro. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos.
O outro lado
A fala do deputado é uma opinião política e não corresponde a nenhuma condenação. Flávio Bolsonaro é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) em apuração sobre suposta lavagem de dinheiro e nega irregularidades. Depois da eleição, o senador deixou o país e, em carta divulgada nos Estados Unidos, afirmou sofrer perseguição política e negou que a saída seja uma fuga. Segundo a Polícia Federal, ele não é considerado foragido e não há pedido de prisão contra ele.
Parlamentares da oposição também saíram em defesa do senador no Congresso e criticaram o que chamam de perseguição. O Cidade Agora não localizou resposta pública de Flávio Bolsonaro ou do PL especificamente à declaração de Otoni de Paula.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo da reunião da Comissão de Direitos Humanos de 28/10/2026), TSE/O Globo, CNN Brasil, Polícia Federal, g1 e CBN.

