Fóssil esquecido por um século em gaveta de museu de Londres revela primeiro megarraptor da Europa

 Fóssil esquecido por um século em gaveta de museu de Londres revela primeiro megarraptor da Europa

Hintze Hall, no Museu de História Natural de Londres (imagem ilustrativa, 2026). Foto: APK/Wikimedia Commons – CC BY 4.0

Parte de um crânio fossilizado que passou quase um século esquecida em uma gaveta do Museu de História Natural de Londres está ajudando cientistas a entender melhor os megarraptores, dinossauros carnívoros conhecidos por usar garras enormes para dilacerar as presas. A espécie, batizada de Invictibellatrix amberina, foi descrita em artigo publicado no dia 14 no periódico Royal Society Open Science, segundo a Folha de S.Paulo.

O animal viveu há cerca de 120 milhões de anos na região que hoje corresponde à Ilha de Wight, na costa sul da Inglaterra. É o primeiro megarraptor conhecido na Europa e um dos primeiros integrantes do grupo.

Do tamanho de um tigre

O Invictibellatrix amberina é um dos menores megarraptores: media cerca de cinco metros de comprimento e pesava tanto quanto um tigre grande, que pode chegar a 300 quilos. O maior megarraptor conhecido, o Maip, chegava a dez metros e viveu na Patagônia cerca de 50 milhões de anos depois.

“Eles são bastante singulares entre os terópodes porque têm cabeças relativamente pequenas e esguias, mas braços longos e fortes, com enormes garras nas mãos”, afirmou Cassius Morrison, pesquisador da Universidade de Leeds e principal autor do estudo. O nome Invictibellatrix significa “guerreira indomável”.

Esquecido desde 1924

O fóssil, uma caixa craniana fragmentada, foi descoberto há cerca de um século e adquirido pelo museu em 1924. “Desde então, ficou esquecido em uma das gavetas da coleção, e ninguém o notou até alguns anos atrás”, disse Charlie Scherer, doutorando da University College London e coautor do estudo.

A descoberta reforça a hipótese de que os megarraptores surgiram na Ásia e migraram pela Europa rumo à África e à América do Sul — teoria que até agora carecia de fósseis europeus.

Curiosidade: segundo Morrison, um dinossauro menor como esse provavelmente seria uma ameaça maior para um ser humano do que o T. rex, para quem seríamos pequenos demais para valer a pena como refeição.

Com informações da Folha de S.Paulo e da Royal Society Open Science.

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