Corais branqueados se recuperam em sete semanas só de encostar em um “clone” saudável, mostra estudo de Stanford

 Corais branqueados se recuperam em sete semanas só de encostar em um “clone” saudável, mostra estudo de Stanford

Coral branqueado (imagem ilustrativa). Foto: Matt Kieffer/Wikimedia Commons – CC BY-SA 2.0

Um coral pálido e à beira da morte pode voltar a ter cor em sete semanas apenas encostando em um coral saudável geneticamente idêntico. A descoberta é de pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e foi publicada em 14 de outubro na revista Science Advances, segundo o Olhar Digital.

O branqueamento acontece quando os corais perdem as algas simbiontes que vivem em seus tecidos, em reação ao aquecimento da água. Sem elas, o coral fica pálido e passa fome, porque as algas fornecem boa parte da energia de que ele precisa. Os recifes abrigam um terço das espécies marinhas conhecidas e protegem litorais de tempestades.

Um acaso no aquário

A ideia surgiu por acaso em 2025: dois fragmentos da mesma colônia, um saudável e um branqueado, caíram lado a lado em um aquário do laboratório do pesquisador Steve Palumbi. No ponto de contato, a cor voltou ao fragmento pálido. Segundo Palumbi, clones se reconhecem ao se tocar, algo comparável a um transplante de órgãos entre gêmeos idênticos.

O doutorando Danny Collins transformou a observação em experimento. Ele reuniu dez pares de fragmentos do mesmo animal; em cinco, os pedaços se tocavam, e nos outros cinco ficavam a poucos milímetros de distância. Todos os branqueados que encostaram no parceiro saudável se recuperaram em sete semanas, enquanto os separados morreram.

No microscópio, a equipe viu canais minúsculos nos tecidos se alinharem logo após o contato. Por eles, algas e nutrientes passaram de um fragmento ao outro em até três dias. Uma semana de contato bastou — em alguns casos, cinco dias. Na segunda semana, as algas dobravam de número a cada quatro dias, cerca de dez vezes mais rápido que em corais selvagens.

Ainda não salva os recifes

O método exige um clone saudável para cada coral branqueado, o que torna inviável aplicá-lo em um recife inteiro. Os pesquisadores querem testar formas de levar as algas aos corais doentes sem depender do contato, por exemplo coletando algas de corais saudáveis antes das ondas de calor e aplicando-as depois.

Com informações do Olhar Digital e da Universidade Stanford.

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