“A democracia não persegue, faz justiça”: Tadeu Veneri critica saída de Flávio Bolsonaro do país
Tadeu Veneri (PT-PR) na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara em 28/10/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado federal Tadeu Veneri (PT-PR) usou a palavra na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (28), para criticar a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, Flávio deixou o país pela fronteira com a Argentina e chegou aos Estados Unidos naquele dia.
“Eu não falo só da fuga até patética daquele que mentiu o tempo todo e que obviamente mentiu novamente quando disse que não sairia do Brasil se perdesse essas eleições. Eu estou me referindo, claro, a Flávio Bolsonaro, que na madrugada de hoje fugiu do Brasil dizendo que estava sendo perseguido pela democracia”, afirmou o deputado, segundo o vídeo da reunião.
Em seguida, Veneri associou a família Bolsonaro ao período da ditadura militar: “Me parece que, assim como o restante da sua família, eles são perseguidos pela democracia, que na ditadura eles nunca foram perseguidos. Na ditadura, eles perseguiram as pessoas. E a democracia não persegue, a democracia faz justiça”. Na mesma fala, o parlamentar disse que Flávio deveria se apresentar à Justiça brasileira para responder às investigações e também criticou episódios de intolerância após as eleições no Paraná.
O que diz o outro lado
Em carta divulgada nos Estados Unidos, Flávio afirmou sofrer perseguição política e negou que a saída do país seja uma fuga. Parlamentares da oposição saíram em sua defesa no Congresso. No Plenário, também na quarta, o deputado Sargento Fahur (PL-PR) disse que “a própria Polícia Federal diz que não existe fuga”.
Em nota, a Polícia Federal afirmou que “a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, de vigilância permanente ou de outras medidas cautelares”. A corporação informou ainda que não há registro oficial de saída do senador pelos postos de controle migratório e que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais.
Segundo a PF, no domingo (25), dia do segundo turno, ela pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apreensão dos passaportes e a proibição de deixar o país, por identificar risco de saída do Brasil. Com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, os passaportes brasileiros do senador foram cancelados. De acordo com o g1, ele viajou com passaporte italiano.
Flávio é investigado no STF em apuração sobre suposta lavagem de dinheiro e nega irregularidades. Ele não tem mandado de prisão em aberto, segundo a PF e o jornal O Globo. Nos EUA, recebeu autorização temporária de permanência por razões humanitárias. Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo da reunião da Comissão de Direitos Humanos de 28/10), Polícia Federal, g1, O Globo e CBN.

