No Recife, carro do ovo vira ferramenta de conscientização contra o feminicídio

 No Recife, carro do ovo vira ferramenta de conscientização contra o feminicídio

Bandejas com ovos de galinha (imagem ilustrativa). Foto: Krzysztof Golik/Wikimedia Commons – CC BY-SA 4.0

No Recife, o carro do ovo, tradição no comércio das comunidades, virou ferramenta de conscientização contra a violência doméstica e o feminicídio. A iniciativa, mostrada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, percorreu a ilha de Santa Terezinha, na Zona Norte da cidade.

“Ovos bem fresquinhos, 30 ovos, olha que beleza!”, anuncia o som do carro. Antes da saída, as bandejas de 30 ovos são divididas em embalagens menores, de seis unidades, que servem de “passaporte” para a aproximação com a comunidade.

Receita de um lado, denúncia do outro

Cada entrega leva também uma mensagem escrita: de um lado, uma receita de bolo; do outro, endereços e canais de denúncia. As mulheres recebem ainda um pano de prato com orientações. A campanha inclui assistência jurídica no local.

“É uma forma lúdica de trazer um assunto sério, grave, que vem tirando a vida de muitas mulheres. Então estar na comunidade nesse diálogo é trazer informação para elas”, disse Deila Martins, coordenadora executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop).

“Na hora que a gente traz a informação, pode acontecer de uma mulher já ter alguma dúvida, já ter algum caso, já ter uma denúncia e aqui mesmo a gente já pode fazer diretamente algum encaminhamento”, afirmou a advogada do Gajop Juliana Acioli.

Trajeto definido com a comunidade

Lideranças locais ajudam a definir o percurso do carro em cada comunidade visitada. “Esse percurso que foi pensado junto com a comunidade atende essa necessidade de chegar de fato a informação às famílias mais necessitadas”, disse Solange Silva, coordenadora do Grupo Ruas e Praças.

Moradores aprovaram a ação. “Às vezes a gente tem medo de denunciar. É importante a gente não ficar só para a gente, a gente tem que denunciar mesmo”, comentou a agente comunitária de saúde Sicleide Maria dos Santos. “É bom a gente parar para meditar um pouquinho e ler, entender mais as coisas”, afirmou o autônomo Jairo Sebastião. Para a dona de casa Cléa dos Santos, “não pode continuar assim do jeito que está”.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 1.500 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025.

Com informações do Jornal Nacional/TV Globo e do g1.

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