PF faz operação internacional contra tráfico de ovos de papagaios descoberto no Galeão, no Rio

 PF faz operação internacional contra tráfico de ovos de papagaios descoberto no Galeão, no Rio

Ipanema e Leblon, no Rio de Janeiro (imagem ilustrativa). Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons – CC0

A Polícia Federal deflagrou na segunda-feira (19) uma operação internacional contra uma organização criminosa investigada pelo tráfico de ovos de aves silvestres brasileiras, especialmente papagaios. A investigação começou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, segundo o g1 Rio. A ação, batizada de Operação Ninho Vazio, foi feita em conjunto com autoridades da Espanha e da Suíça.

Dois investigados apontados pela PF como líderes do grupo foram presos pela Polícia Nacional da Espanha na ilha de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias, com base em mandados de prisão preventiva da Justiça brasileira. No Brasil, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão em Curitiba. Na Suíça, três mandados de busca foram cumpridos em Weinfelden.

Ovos escondidos sob a roupa

A investigação começou em outubro de 2025, quando 24 ovos de aves silvestres foram apreendidos no Galeão, na Zona Norte do Rio. Segundo a PF, uma mulher suíça se preparava para embarcar para o país de origem com os ovos escondidos sob a roupa, junto ao corpo. Ela é alvo de mandado de prisão preventiva e foi incluída na Difusão Vermelha da Interpol.

Entre os ovos que sobreviveram, foram identificadas duas espécies brasileiras: o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), que vive no litoral de São Paulo e do Paraná e é classificado como quase ameaçado, e o papagaio-charão (Amazona pretrei), encontrado principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e ameaçado de extinção.

20 anos de viagens

Segundo a PF, a investigação identificou viagens recorrentes de integrantes do grupo entre o Brasil e a Suíça ao longo de cerca de 20 anos, com várias estadias curtas no país, e indícios de divisão de tarefas: obtenção dos ovos, organização das viagens, transporte e recebimento no exterior. A retirada ilegal compromete a reprodução das aves, e as condições de transporte provocaram sofrimento e alta mortalidade dos embriões.

Os investigados podem responder por tráfico de animais silvestres, maus-tratos, contrabando e organização criminosa. A PF segue investigando outros fornecedores, intermediários e destinatários.

Com informações do g1 Rio e da Polícia Federal.

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