Prefeito de Salvador estima em R$ 192 milhões por ano o custo da tarifa zero nos fins de semana e pergunta quem vai pagar

 Prefeito de Salvador estima em R$ 192 milhões por ano o custo da tarifa zero nos fins de semana e pergunta quem vai pagar

Elevador Lacerda, em Salvador (imagem ilustrativa). Foto: Marcio Filho/MTur Destinos/Wikimedia Commons – domínio público

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), questionou na terça-feira (20) quem vai financiar a gratuidade do transporte público aos fins de semana, proposta anunciada no mesmo dia pelo presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Em entrevista coletiva durante a entrega de obras no bairro de Brotas, Reis estimou que a medida custaria R$ 192 milhões por ano à capital baiana, segundo o site Bahia Econômica.

A conta do prefeito

De acordo com Bruno Reis, a prefeitura destina hoje cerca de R$ 4 milhões por mês ao programa Domingo é Meia, que dá desconto na tarifa aos domingos. Pelos cálculos dele, a gratuidade integral no domingo dobraria esse valor, e a inclusão do sábado elevaria o gasto para R$ 16 milhões por mês.

“Transporte gratuito ao final de semana: sou a favor, tem todo o meu apoio. Agora vocês vão entender a conta rapidinho: a prefeitura paga R$ 4 milhões por mês do ‘Domingo é Meia’. Se for de graça o dia todo no domingo, são R$ 8 milhões. Sábado e domingo, são R$ 16 milhões por mês. Dezesseis vezes doze: R$ 192 milhões de reais é o custo do transporte gratuito no final de semana em Salvador. Quem vai pagar essa conta? É uma PEC ou o Governo Federal? Porque não existe de graça, alguém vai pagar essa conta!”, afirmou.

A proposta federal

Mais cedo, em São Luís (MA), Lula disse que enviará ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a tarifa zero no transporte público, ligada ao fim da escala 6×1, com gratuidade aos sábados e domingos. Segundo a Agência Brasil, a PEC seria assinada nesta quarta-feira (21). Até a publicação desta reportagem, os detalhes sobre o financiamento da medida não haviam sido divulgados.

Uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, com pelo menos três quintos dos votos em cada Casa, para entrar em vigor.

Cobrança por diálogo

Segundo o Bahia Econômica, Bruno Reis criticou a apresentação da proposta sem uma definição clara sobre a origem dos recursos e defendeu mais diálogo com os municípios, que são responsáveis pela operação do transporte coletivo. O prefeito afirmou que Salvador já arca com despesas de subsídios tarifários e cobrou maior participação do governo federal no financiamento do sistema.

A declaração foi dada durante a entrega de obras no bairro de Brotas.

Com informações do Bahia Econômica, do BNews e da Agência Brasil.

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