“Bota na cadeia esses ladrões”: Hildo Rocha elogia operação da PF contra fraude no seguro-defeso e critica Ministério da Pesca

 “Bota na cadeia esses ladrões”: Hildo Rocha elogia operação da PF contra fraude no seguro-defeso e critica Ministério da Pesca

Hildo Rocha (MDB-MA) no Plenário da Câmara em 28/10/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) usou a tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (28), para comentar a Operação Indefeso, deflagrada no mesmo dia pela Polícia Federal no Maranhão contra suspeitas de fraude no seguro-defeso. Em tom duro, ele elogiou a ação da PF, criticou o cancelamento de registros de pescadores determinado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura neste ano e defendeu prisão para os responsáveis pelo esquema.

“Bota na cadeia esses ladrões”

Segundo o parlamentar, as organizações investigadas recrutariam pessoas para se passar por pescadores artesanais e dividiriam o benefício, pago durante o período em que a pesca fica proibida para a reprodução dos peixes. “Esse trabalho da Polícia Federal foi muito bem feito, um trabalho de inteligência, e que vai fazer com que de fato recebam o seguro-defeso aqueles que realmente são pescadores”, afirmou.

Hildo Rocha disse considerar “equivocada” a decisão do ministro da Pesca de mandar cancelar várias carteiras, “inclusive de pescadores mesmo, porque você tem que saber separar o joio do trigo”. Para ele, o caminho contra a fraude é a investigação policial em municípios sem rio ou sem produção pesqueira: “Faça a fiscalização, a investigação e bota na cadeia esses ladrões, essas quadrilhas que estão roubando esse dinheiro”. O deputado ressaltou que existem colônias, sindicatos e associações de pescadores corretos, mas que os dirigidos por criminosos devem ser presos e punidos.

O que diz a investigação

De acordo com a Polícia Federal, a operação mobilizou cerca de 160 policiais, com apoio técnico da Controladoria-Geral da União (CGU), e cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em 16 municípios maranhenses. A Justiça Federal determinou o afastamento de dois agentes públicos, 17 medidas cautelares diversas da prisão e o bloqueio de cerca de R$ 400 milhões em bens dos investigados. Pelas estimativas da PF, o esquema poderia causar prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões aos cofres públicos em cinco anos.

A CGU informou que apura a inserção maciça de dados falsos no sistema PesqBrasil para emitir registros de pescador a quem não exerce a atividade. Em auditoria de 2025, entrevistas com beneficiários em cinco cidades do Maranhão indicaram que 96% deles não foram identificados como pescadores artesanais, embora tivessem o registro ativo. Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF não divulgou nomes, e todos têm direito à presunção de inocência.

Cancelamentos de registros

O Ministério da Pesca e Aquicultura cancelou em fevereiro os registros de pescadores que haviam sido suspensos com base na Operação Big Fish, também da PF. Segundo a pasta, quem teve o registro cancelado não apresentou recurso no prazo de 30 dias. Em março, o ministério suspendeu outras 12.644 licenças por indícios de fraude, com prazo para recurso.

Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo da sessão do Plenário de 28/10/2026), Polícia Federal, CGU, Ministério da Pesca e Aquicultura e g1.

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