Itamaraty convoca diplomata argentina para explicar passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina rumo aos EUA

 Itamaraty convoca diplomata argentina para explicar passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina rumo aos EUA

Imagem de arquivo (2021): Palácio do Itamaraty, em Brasília. Foto: Lou Fernando/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina em Brasília, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo país vizinho na viagem que o levou aos Estados Unidos nesta semana. O encontro ocorreu na quinta-feira (29), na sede do Itamaraty, e a convocação foi revelada nesta sexta-feira (30) pelo UOL e confirmada por diferentes veículos.

A diplomata foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pela área de América do Sul no ministério, que pediu informações sobre a passagem do senador pelo território argentino. Segundo a Reuters, a conversa foi rápida. De acordo com o g1, María Emilia ficou de transmitir o que foi debatido ao governo de Javier Milei. Na linguagem diplomática, a convocação é uma praxe usada para registrar desagrado com as ações de outro governo.

Flávio foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25). Segundo a Reuters, ao viajar para os Estados Unidos o senador descumpriu uma determinação judicial de entregar seus passaportes e de não deixar o Brasil, no âmbito de um inquérito em que é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Folha informou que, dois dias antes da viagem, ele havia sido notificado do cancelamento dos passaportes pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O trajeto

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, citada pelo g1 e por O Globo, Flávio, a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal cruzaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27), no horário de Brasília. O órgão afirmou que os quatro apresentaram documentação válida e não tinham impedimento legal para entrar no país.

Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em um jato particular da empresa argentina Baires Fly. A aeronave decolou às 0h22 de quarta-feira (28), fez escala em Guayaquil, no Equador, e pousou na região de Miami às 10h24. Segundo o g1, o senador recebeu autorização para permanecer por um ano nos Estados Unidos.

Papel do governo Milei

Em carta divulgada após chegar aos EUA, Flávio agradeceu a Milei pela “coragem, justiça e senso de legalidade”, segundo a Folha. Reportagens da imprensa argentina citadas pela Reuters e pela Folha apontam envolvimento de integrantes do governo Milei na viagem, como a presença do estrategista Santiago Caputo em Puerto Iguazú e uma escolta da polícia aeroportuária argentina até o embarque.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que não houve pedido de explicações por parte do governo brasileiro. Duas fontes do governo ouvidas pela Reuters reafirmaram a convocação. Na Argentina, a oposição apresentou pedidos de esclarecimento, convocações de ministros e uma denúncia penal contra Milei, Quirno, a ministra de Segurança, Alejandra Monteoliva, e Caputo.

De acordo com o g1, o governo brasileiro decidiu internamente não polemizar com a Argentina, e não há desdobramentos previstos no momento. As relações entre os dois países estão rebaixadas desde o fim de julho, quando Milei esteve no Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio e fez ofensas a Lula. O Brasil retirou seu embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e o então embaixador argentino em Brasília, Daniel Ribondi, também voltou ao seu país.

Com informações de Agência Brasil/Reuters, g1, Folha de S.Paulo, O Globo e CBN.

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