“Que loucura é essa?”: Otoni de Paula critica no Plenário carta em que Flávio Bolsonaro se disse “presidente eleito”
Otoni de Paula (PSD-RJ) fala no Plenário da Câmara em 28/10/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) usou um minuto de fala no Plenário da Câmara dos Deputados, na tarde desta quarta-feira (28), para criticar a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) logo depois de chegar aos Estados Unidos. Candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, Flávio havia se apresentado, na primeira versão do texto, como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
“Agora há pouco, dos Estados Unidos, o Sr. Flávio Bolsonaro assinou uma carta se declarando o verdadeiro presidente eleito do Brasil, dizendo que irá fazer um governo paralelo, como se fosse o Guaidó, na Venezuela”, disse o deputado, segundo as notas taquigráficas da sessão. “Mas, lá, ele tinha razão, porque havia um ditador sentado na cadeira da Presidência da República.”
Otoni lembrou que o presidente do PL e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconheceram a legitimidade da eleição. “Que loucura é essa?”, perguntou. Ele citou ainda que a legitimidade do pleito foi declarada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro, e encerrou com uma crítica direta: “Flávio Bolsonaro está se revelando um moleque que tenta simplesmente tumultuar a democracia brasileira e dividir a Nação brasileira”.
A carta e as reações
Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio. Na carta, publicada na quarta-feira, o senador afirmou, sem apresentar provas, que houve fraude, disse sofrer perseguição política, negou que sua saída do país seja uma fuga e anunciou que pretende liderar a oposição a partir do exterior. Pouco depois, trocou “presidente eleito” por “líder do Brasil”, mas manteve os trechos em que contesta o resultado.
A viagem ocorreu apesar de decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a entrega dos passaportes do senador, em uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.
Na noite de quarta, Nunes Marques divulgou nota afirmando que as Eleições 2026 “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”. Tarcísio disse entender “a indignação” de Flávio, mas defendeu “respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”. Nesta quinta (29), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que “ninguém aprovou a carta”.
Plenário dividido
Na mesma sessão, o tema provocou embates entre governistas e oposição. Deputados do PT acusaram Flávio de ter fugido para não responder a investigações. Do outro lado, Giovani Cherini (PL-RS) afirmou que o senador “não fugiu” e que foi para os EUA “em função das perseguições que ele sofre aqui no Brasil”. Luiz Lima (NOVO-RJ) disse que Flávio “fez o certo” ao deixar o país, porque, segundo ele, “não seria julgado no País de forma honesta”.
Com informações da Câmara dos Deputados (vídeo e notas taquigráficas da sessão de 28/10), g1, O Globo, Folha de S.Paulo, BBC News Brasil e CBN.

