“Aposentados não pagam farmácia com elogios”, diz Pompeo de Mattos ao cobrar de Lula apoio ao 14º salário do INSS
Pompeo de Mattos (PDT-RS) no Plenário da Câmara em 04/11/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)
O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) usou a tribuna do Plenário da Câmara nesta quarta-feira (4) para pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que transforme em “medida concreta” o carinho demonstrado aos idosos após a eleição. O pedido: que o governo ajude a aprovar o projeto que cria um 14º salário para aposentados e pensionistas do INSS, de autoria do próprio deputado.
O que disse o deputado
No horário dos discursos, por volta das 18h45, Pompeo lembrou que Lula se emocionou no próprio aniversário ao agradecer aos idosos pela vitória. “Não basta demonstrar carinho, compaixão, precisa dar respostas”, disse. Em seguida, completou: “E os aposentados, eles não pagam farmácia, não pagam as contas, a luz, a água, o telefone com elogios. Eles pagam com recurso, com verba e com sua aposentadoria.”
O parlamentar pediu que o presidente, “com a sua sensibilidade, com a sua compaixão”, ajude a aprovar “o projeto de lei 4.367 de 2020, do 14º salário para os aposentados”. Ele também citou que o 13º do INSS vem sendo antecipado desde 2020, nos governos Bolsonaro e Lula, e afirmou que “não importa de quem que seja” o projeto, mas “para quem será”.
O contexto
A fala faz referência ao aniversário de 81 anos de Lula, em 27 de outubro, dois dias após a reeleição. No Palácio da Alvorada, o presidente chorou ao comentar vídeos de idosos levados por filhos e netos, em macas ou no colo, para votar. “Foi a imagem mais forte e humana que já vi em uma eleição”, disse na ocasião, segundo a Agência Brasil.
O PL 4.367/2020 foi apresentado em agosto de 2020, durante a pandemia, e prevê, de forma excepcional, um abono anual extra (o 14º) para aposentados e pensionistas do Regime Geral nos anos de 2020 e 2021. O texto chegou a ter parecer aprovado na Comissão de Seguridade Social em 2021, mas, segundo a ficha de tramitação da Câmara, aguarda desde 2022 a criação de uma comissão especial. Como foi escrito para aqueles dois anos, precisaria ser atualizado para valer hoje.
O outro lado
O INSS já afirmou em comunicados que não existe autorização legal para pagar um 14º salário e que o único abono extra em vigor é o 13º. O Senado Verifica também classificou como falsas, em 2024, mensagens que diziam que o benefício seria votado. Segundo a justificativa do próprio autor, a medida alcançaria cerca de 30 milhões de aposentados e pensionistas.
Já a antecipação do 13º, citada pelo deputado, ocorreu de novo em 2026: pelo Decreto 12.884, a gratificação foi paga em abril e maio a cerca de 35,1 milhões de benefícios, num total de R$ 78,2 bilhões, segundo o INSS. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do governo sobre o pedido do deputado.
Com informações da Câmara dos Deputados, INSS, Agência Brasil, Folha de S.Paulo, g1 e Senado Verifica.

