“Juros abusivos e criminosos”: Pedro Uczai ataca Selic de 13,75% mantida pelo Copom

 “Juros abusivos e criminosos”: Pedro Uczai ataca Selic de 13,75% mantida pelo Copom

Pedro Uczai (PT-SC) no Plenário da Câmara em 05/11/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)

O deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT na Câmara, usou a tribuna do Plenário nesta quinta-feira (5) para atacar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Em discurso, classificou a taxa como “a mais alta do mundo”, “abusiva e criminosa”, e cobrou mudança na autonomia do Banco Central.

O que disse o deputado

Nas breves comunicações, Uczai afirmou que a bancada petista tem “crítica profunda à manutenção da taxa de juros”. Segundo ele, o Copom deixou a Selic em 13,75%, o equivalente a cerca de 9,9% de juro real. “A taxa mais alta do mundo. É abusiva e criminosa”, disse.

O parlamentar atribuiu a autonomia do Banco Central a um projeto do governo Jair Bolsonaro aprovado pela Câmara, que, na sua avaliação, subordinou a política monetária “aos interesses do setor financeiro” e dos banqueiros. Disse que a bancada apresentou projetos para subordinar a política monetária à política econômica, à geração de emprego e às políticas fiscal e social, e para desvincular investimentos em infraestrutura do arcabouço fiscal.

O contexto

Na véspera, em 4 de novembro, o Copom interrompeu o ciclo de cortes e manteve a Selic em 13,75% ao ano — a primeira reunião do comitê após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O comunicado do Banco Central citou o cenário de inflação e a necessidade de cautela na condução da política monetária. A taxa básica influencia o custo do crédito para famílias e empresas e o rendimento das aplicações financeiras.

Outros parlamentares do PT, como Gilmar Machado (MG) e João Daniel (SE), também criticaram a decisão na mesma sessão. A discussão sobre juros altos é recorrente no Congresso desde a autonomia formal do BC, aprovada em 2021 (Lei Complementar 179).

O outro lado

O Copom justifica a manutenção da Selic pelo combate à inflação e pela âncora das expectativas. Economistas de mercado e parte da oposição defendem a autonomia do Banco Central justamente para isolar a política monetária de pressões eleitorais. O governo, por sua vez, tem cobrado juros menores para destravar o crédito e o investimento, mas a diretoria do BC, sob o presidente Gabriel Galípolo, manteve o viés conservador nesta reunião.

Até a publicação desta reportagem, o Banco Central não havia respondido especificamente às críticas feitas no Plenário. A Selic em 13,75% permanece entre as mais elevadas do mundo em termos reais, segundo comparações usadas por parlamentares e analistas — embora o ranking dependa da metodologia e da inflação de cada país.

Com informações da Câmara dos Deputados, Banco Central (comunicado do Copom), Agência Brasil e g1.

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