Um em cada cinco veículos roubados e recuperados em Porto Velho é clonado, mostram dados da PM
Vista de Porto Velho, capital de Rondônia (imagem de arquivo, 2018). Foto: Silva Júnior – MTUR/Wikimedia Commons – CC0
De cada cinco veículos roubados ou furtados que são recuperados em Porto Velho, um é clonado. É o que mostram dados da Polícia Militar (PM) obtidos pelo g1 Rondônia: das 2.845 apreensões realizadas entre 2022 e 2025, 582 envolviam o crime de clonagem veicular, cerca de 20,5% do total.
Somente em 2025, 154 veículos foram apreendidos por clonagem na capital. O ano de 2023 concentrou o maior volume, com 39,3% dos casos do período, enquanto 2024 foi o único a registrar retração, com 14,1%. As ocorrências envolvem tanto carros quanto motocicletas.
Esconder a origem do crime
O titular da Delegacia Especializada em Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), delegado Alessandro Bernardino Morey, explica que a clonagem geralmente ocorre depois do furto ou roubo. Os criminosos adulteram placa, chassi, motor ou outras identificações para facilitar a circulação, a venda ou o uso em outros crimes. “A motivação de clonar o veículo é esconder que ele foi furtado ou roubado”, resume.
No Código Penal, a prática é classificada como adulteração de sinais identificadores de veículo automotor. Segundo o delegado, os números oficiais não representam a totalidade dos casos, porque as ocorrências costumam ser registradas pelo “crime-fim”: se um carro adulterado é usado em um homicídio, por exemplo, o caso entra no sistema como homicídio.
Rota para a Bolívia
Morey relata que muitos veículos, principalmente caminhonetes, são levados para a Bolívia pela região de Guajará-Mirim e Nova Mamoré. “Quando eles atravessam esses veículos para a Bolívia, as caminhonetes principalmente, certamente é para trocar por drogas. […] São drogas e armas para as organizações criminosas”, afirma.
Cuidados na compra e no dia a dia
No mercado interno, muitos veículos adulterados, especialmente motos, são anunciados na internet por valores muito abaixo da tabela. A orientação é desconfiar de preços “milagrosos”, ver o veículo pessoalmente e fazer vistoria cautelar antes de fechar negócio, para não responder por receptação.
Para evitar os furtos, a polícia recomenda conferir se o carro realmente trancou, puxando a maçaneta; não deixar a chave reserva dentro do veículo; não deixar motos com a chave na ignição, mesmo por poucos minutos; e, quando possível, instalar rastreador e contratar seguro.
Com informações do g1 Rondônia.

