Pacientes com câncer relatam tratamento interrompido por falta de oncologistas no Hospital do Andaraí, no Rio
Bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro (imagem ilustrativa). Foto: Wilfredor/Wikimedia Commons – CC0
Pacientes em tratamento contra o câncer relatam estar há meses sem acompanhamento médico no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Segundo os relatos, a saída de oncologistas provocou uma sequência de cancelamentos de consultas e deixou pacientes sem previsão de atendimento e, em alguns casos, sem quimioterapia, informou o g1 Rio.
José Luiz Garcia de Andrade foi atendido duas vezes por um oncologista que depois deixou a unidade. A nova consulta foi desmarcada após a saída de outra médica. “Se não puderem me atender aqui, que me deem uma transferência para um lugar que eu possa ser atendido e resolver o meu problema, porque pra mim realmente está muito angustiante viver diariamente com a base de analgésica”, desabafou.
Três meses sem quimioterapia
Nazaré Falcão faz tratamento no hospital há quatro anos e diz estar há três meses sem médico e sem quimioterapia. “Não sei se a quimio vai continuar ou não. Estou simplesmente abandonada”, afirmou. A diarista Áurea Cristina teve três consultas desmarcadas e teme ficar sem a medicação, receitada por outro profissional por período limitado. “Eu estou pedindo socorro”, disse.
Municipalização e metas
O Hospital do Andaraí foi municipalizado há dois anos. Na época, a Prefeitura do Rio recebeu R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para ações emergenciais. Entre os compromissos estavam a contratação de 800 trabalhadores e a ampliação para 167 mil atendimentos por ano.
A previsão era chegar a 450 leitos. Segundo o Censo Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde, eram 304 em dezembro de 2024; hoje são 358, mas 42 estão impedidos. Fontes ouvidas pela reportagem apontam a terceirização como um dos fatores para a falta de profissionais: vagas ligadas a organizações sociais (OSs) teriam dificuldade de atrair médicos e maior rotatividade.
O que diz a prefeitura
A prefeitura informou que contratou especialistas para a oncologia, mas reconheceu dificuldade para preencher todas as vagas, e disse que há edital aberto, com vagas para oncologista clínico e onco-hematologista, de 12 horas. Afirmou ainda que, desde que assumiu o hospital, contratou mais de 4 mil profissionais, reabriu serviços fechados havia anos e que novos leitos serão abertos na reestruturação. Sobre os pacientes da reportagem, a Secretaria de Saúde disse que o atendimento deles seria agendado para a semana seguinte.
Com informações do g1 Rio.

