Dólar fecha a R$ 5,44 e tem a maior alta semanal desde 2008; Ibovespa cai 18% e faz a pior semana desde 2020
Imagem de arquivo (2007): painéis de cotações na Bolsa de Valores de São Paulo. Foto: Rafael Matsunaga/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
O mercado financeiro brasileiro fechou outubro sob forte pressão. Na sexta-feira (30), o dólar comercial subiu 1,09% e terminou o dia cotado a R$ 5,446, o maior valor de fechamento de 2026. Na semana, a moeda norte-americana acumulou alta de 9,15%, a maior valorização semanal desde outubro de 2008, em plena crise financeira internacional. O Ibovespa, principal índice da B3, recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos, e perdeu 18,12% na semana, o pior resultado desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Foi a primeira semana depois do segundo turno das eleições, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. Segundo a Agência Brasil, o desempenho dos ativos foi marcado pelos ajustes do mercado após o resultado e pelas incertezas sobre a política fiscal. No exterior, a forte queda de ações de empresas de tecnologia e de inteligência artificial também pressionou as bolsas.
Câmbio
Durante a sessão de sexta, o dólar chegou a R$ 5,463, por volta das 16h, antes de reduzir parte dos ganhos. Em outubro, a moeda avançou 5,27% e passou a acumular alta de 0,81% no ano. Parte da volatilidade esteve ligada à formação da Ptax de fim de mês, taxa do Banco Central usada como referência para contratos futuros de câmbio. A procura por proteção antes do feriado prolongado de Finados, na segunda-feira (2), e a expectativa pela definição da equipe econômica do próximo governo também pesaram.
Bolsa
A sexta-feira marcou o quinto pregão seguido de queda do Ibovespa. No mês, o índice caiu 9,88%, a maior perda mensal desde junho de 2022, quando havia recuado 11,5%. A pressão começou na segunda-feira (26), primeiro pregão após a eleição, quando a queda acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações. A saída de recursos estrangeiros também pesou: dados da B3 apontaram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
De acordo com a consultoria Elos Ayta, citada pelo InfoMoney, a queda de 18,12% é a quinta maior semanal desde o Plano Real, em 1994. “A queda de outubro de 2026 apresenta uma diferença importante em relação aos quatro episódios anteriores: seu principal catalisador foi um acontecimento político brasileiro”, afirmou o CEO da consultoria, Einar Rivero.
O que dizem os analistas
Para Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, o cenário segue incerto por causa das preocupações fiscais para o próximo ano. “Não houve nenhuma declaração por parte do governo, apaziguando o humor dos mercados, no sentido de que fará algum ajuste”, disse. Segundo analistas ouvidos pelo InfoMoney, ainda não há sinais sobre quem comporá a equipe econômica a partir de 2027.
Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, avalia que não há um plano de ajuste fiscal em discussão, apenas a perspectiva de medidas pontuais para cumprir as metas. “Nos últimos dias, diversos expoentes do governo fizeram declarações públicas contrárias a qualquer ajuste”, afirmou.
No exterior, o índice S&P 500, de Nova York, caiu 1,82% na sexta, em meio a balanços de grandes empresas de tecnologia, como Amazon e Intel, que frustraram expectativas, e à alta do petróleo, que reforça temores de inflação e de juros globais mais altos.
Com informações da Agência Brasil, do InfoMoney e da AFP/UOL.

