Luana Piovani chama Leonardo de “lixo humano” ao relembrar resgate de trabalhadores em fazenda do cantor em Goiás

 Luana Piovani chama Leonardo de “lixo humano” ao relembrar resgate de trabalhadores em fazenda do cantor em Goiás

Imagem de arquivo (2010): o cantor Leonardo em show na Expo Fisav, em Votuporanga (SP). Foto: André Luiz D. Takahashi/ASCOM Prefeitura de Votuporanga/Wikimedia Commons (domínio público)

A atriz Luana Piovani chamou o cantor sertanejo Leonardo de “lixo humano” em uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (2). A manifestação veio junto com o compartilhamento de um vídeo da página Um Preto que Pensa, que relembra o resgate de seis trabalhadores em condições análogas à escravidão em terras ligadas ao artista, em Jussara, no interior de Goiás.

No vídeo, o criador de conteúdo descreve a situação encontrada pela fiscalização: “Alguns fiscais do trabalho resgataram seis pessoas na Fazenda Talismã, incluindo um menor de 17 anos dormindo em tábuas sobre galões de agrotóxico, sem sanitário e com fezes de morcego ao redor”. Ele também critica a explicação dada pelo cantor na época. “O cara compra uma fazenda, mas não quer nem saber quem trabalha lá”, afirma. Segundo o Metrópoles, a gravação ainda cita o apoio declarado de Leonardo a Flávio Bolsonaro (PL).

O que aconteceu na fazenda

A fiscalização ocorreu em novembro de 2023, nas fazendas Talismã e Lakanka, em Jussara. Segundo o relatório obtido pela Repórter Brasil, os trabalhadores dormiam em uma casa abandonada, sem água potável, banheiro nem camas; o espaço para deitar era improvisado com tábuas de madeira e galões de agrotóxicos, e o local tinha insetos e morcegos. Ainda de acordo com o relatório, eles começavam a arrancar pedras, raízes e tocos de árvores às 7h, sem equipamento de proteção. Outras 12 pessoas trabalhavam “na mais completa informalidade”, segundo o UOL.

Leonardo, cujo nome de registro é Emival Eterno da Costa, foi incluído em 7 de outubro de 2024 na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Pelo Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União, ele pagou R$ 225 mil em indenizações, R$ 35 mil para cada adulto e R$ 50 mil para o adolescente, além de R$ 94.063,24 em multa. O inquérito civil foi arquivado depois do cumprimento do acordo.

Saída da lista suja

Em julho de 2025, o nome do cantor foi retirado da lista após um novo acordo com o MPT em Goiás, homologado pela Vara do Trabalho de São Luís de Montes Belos (GO). Pelo compromisso, revelado pela Repórter Brasil, Leonardo deve pagar R$ 500 mil por danos morais coletivos, contratar todos os trabalhadores de forma direta e com vínculo formal, manter um programa interno de integridade trabalhista e apresentar relatório de auditoria independente sobre as condições de trabalho. Na ocasião, o MPT afirmou que a exclusão não significa que o cantor esteja isento de culpa, mas que houve “regular reparação” das consequências da infração.

O que diz Leonardo

Na época, Leonardo afirmou que a área estava arrendada a terceiros para plantio e que desconhecia as condições dos alojamentos. “Foi lavrada uma multa para mim, como proprietário da fazenda, mas pagamos e está tudo arquivado”, disse o cantor em vídeo nas redes sociais. “Eu sou totalmente contra esse tipo de coisa e sempre serei”. A fiscalização, porém, concluiu que, mesmo com o arrendamento, cabia ao proprietário garantir a estrutura mínima do local.

Até a última atualização desta reportagem, o Cidade Agora não havia localizado manifestação pública de Leonardo sobre a publicação de Luana Piovani.

Com informações de UOL, Metrópoles, O Tempo, Terra e Repórter Brasil.

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