Não reeleito, Cobalchini critica no Plenário políticos que “se especializaram apenas no entretenimento das redes sociais”

 Não reeleito, Cobalchini critica no Plenário políticos que “se especializaram apenas no entretenimento das redes sociais”

Valdir Cobalchini (MDB-SC) discursa no Plenário da Câmara em 28/10/2026. Imagem: reprodução de vídeo/Câmara dos Deputados (CC BY 4.0)

O deputado federal Valdir Cobalchini (MDB-SC), que não conseguiu se reeleger nas eleições de outubro, usou a tribuna do Plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (28) para criticar o que chamou de “um novo tipo de políticos que se especializaram apenas no entretenimento das redes sociais”. O discurso foi feito nas Breves Comunicações da sessão da tarde.

“Minha derrota, como tantas outras pelo Brasil, representa o enfraquecimento de um tipo de político que trabalha pela sociedade, cuidando das pautas da vida real”, afirmou o parlamentar. Em seguida, ele contrapôs esse perfil ao dos políticos voltados ao entretenimento nas redes.

“Na estrada, de carro”

Cobalchini fez um balanço do mandato. “Nesses quatro anos, percorri em média 8 mil quilômetros por mês. Foram mais de 320 mil quilômetros de estrada, não de helicóptero, não de avião, mas na estrada, de carro, olhando nos olhos das pessoas, ouvindo suas necessidades e entregando resultados”, disse. Segundo ele, o mandato esteve nos 295 municípios catarinenses, destinou emendas a 236 deles e ajudou a liberar mais de R$ 500 milhões em investimentos para o estado.

O deputado agradeceu aos 99.751 eleitores que votaram nele. Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele teve votação um pouco maior que a de 2022, quando recebeu 98.124 votos e foi eleito. Desta vez, o MDB elegeu apenas um dos 16 deputados federais de Santa Catarina, Pezenti, com 125.010 votos, e Cobalchini ficou como primeiro suplente do partido. No discurso, ele afirmou que sete integrantes da nova bancada catarinense tiveram menos votos do que ele.

Defesa do voto distrital

O parlamentar disse que a Câmara precisa enfrentar “com urgência e seriedade” a reforma do sistema eleitoral e defendeu a adoção de um modelo que valorize “o voto direto, a representatividade e sobretudo o trabalho efetivamente realizado por cada parlamentar”, citando o voto distrital. Ele afirmou que não se trata de desmerecer a política partidária e encerrou dizendo que o que importa é a vida real e soluções concretas, e não o próximo vídeo viral nas redes.

No sistema proporcional atual, os votos de cada candidato somam para o partido ou federação, e as cadeiras são distribuídas pelo quociente partidário. Por isso, um candidato bem votado pode ficar de fora se a legenda não alcançar votos suficientes. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou também nesta quarta que pretende votar ainda em 2026 uma proposta de emenda à Constituição para adotar o sistema distrital misto. Por ser PEC, o texto precisa de ao menos 308 votos em dois turnos na Câmara antes de seguir ao Senado.

O peso das redes

O tema do discurso aparece em análises sobre a eleição deste ano. Levantamento do Congresso em Foco aponta que alguns dos maiores desempenhos para a Câmara vieram de políticos com grande audiência digital. A mesma análise pondera que os resultados não significam que seguidores se convertam automaticamente em votos, mas mostram como uma audiência consolidada nas plataformas pode ampliar visibilidade, mobilização e comunicação direta com o eleitor.

Com informações da Câmara dos Deputados, do TSE e do Congresso em Foco.

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