Em vídeo de depoimento à PF, Vorcaro nega fraude no BRB e culpa liquidação do Master e sua prisão pela crise do banco

 Em vídeo de depoimento à PF, Vorcaro nega fraude no BRB e culpa liquidação do Master e sua prisão pela crise do banco

Imagem de arquivo (2023): viatura em frente à sede da Polícia Federal, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) enviou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o vídeo do depoimento em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nega ter cometido fraudes nas operações com o Banco de Brasília (BRB) e atribui a crise do banco público à liquidação do Master e à própria prisão. A gravação foi tornada pública no mesmo dia.

A oitiva foi prestada em 15 de outubro à delegada Janaína Palazzo, responsável pelo inquérito, e durou cerca de duas horas. O depoimento ocorreu antes de Vorcaro e outros investigados serem indiciados pela PF, na quarta-feira (28), no inquérito da primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes nas operações do Master.

“Banco vive de credibilidade”

Logo no início, Vorcaro foi questionado sobre as carteiras de crédito da consultoria Tirreno repassadas pelo Master ao BRB por R$ 11,5 bilhões. Segundo a investigação, esses créditos não tinham lastro. “O que eu fiz. Tive problema numa carteira, peguei ativos do banco e substituí. Peguei ativos próprios meus e substituí, em boa fé com o BRB. E hoje tem mais ativos do que ele pagou, lá. Essa é a realidade”, afirmou, segundo o g1.

Em seguida, o ex-banqueiro culpou a liquidação do Master e a sua prisão pelos saques no banco público. “Banco vive de credibilidade, a senhora sabe que depois da liquidação do Master e da minha prisão foi sacado R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não foi causada por mim, não, foi causada pela situação que ocorreu, de liquidação do Master, que era parceiro”, disse, de acordo com o Valor Econômico.

Vorcaro pediu o arquivamento do caso e uma perícia nos ativos. “Arquive esse processo, porque não tem prova nenhuma, não tem prova de fraude, porque não tem prejuízo. Faça-se uma perícia”, afirmou, segundo a Agência Brasil. Preso desde março e custodiado na Papudinha, no Distrito Federal, ele também pediu para ser solto: “Me solta, primeiro, para não ficar esperando, deixa eu esperar em casa”. No fim, pediu um “voto de confiança” à delegada.

Segundo O Globo, Vorcaro disse ainda estar disposto a “falar tudo” sobre suas relações, mas insistiu que o inquérito do BRB deveria ser arquivado. Ele chamou o próprio celular de “maldição” e “bênção”, afirmando que todos os seus negócios estão registrados no aparelho.

O que diz a PF

A versão do ex-banqueiro contrasta com o relatório da Polícia Federal. Para os investigadores, Vorcaro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de crédito irregulares que causaram prejuízos ao BRB. Os indiciados foram acusados de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com O Globo, o Master vendeu R$ 17,5 bilhões em créditos ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025, e R$ 12,2 bilhões desse total, segundo a PF, eram créditos sem comprovação de existência. A PF afirma que há “aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas”. O próprio BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação, segundo o g1.

A defesa de Vorcaro afirma que o negócio com as carteiras da Tirreno não foi concluído e que os ativos foram substituídos. “Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”, declararam os advogados. A lista de indiciados deve ser enviada pelo ministro André Mendonça, do STF, ao Ministério Público Federal, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.

Com informações de Agência Brasil, g1, Valor Econômico e O Globo.

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